Cada vez mais o assunto imigração se torna um assunto espinhoso e quem pode pagar o pato, como sempre, são os pobres indocumentados que vivem aqui nos Estados Unidos com o único objetivo de trabalhar e ganhar o sustento para suas famílias, a fim de dar um futuro melhor aos seus filhos.
Depois da malfadada Lei SB 1070, promulgada pela governadora Jane Brewer do Arizona em 23 de abril, e que deve entrar
em vigor no final do próximo mês, chegou a vez do legislador republicano da Flórida, William Snyder, apresentar um projeto de lei que em muito se assemelha ao polêmico projeto
do Arizona.
Em linhas gerais, a lei do Arizona – que pode ser aprovada na Flórida - dá direitos aos policiais locais de pedir documentos aos suspeitos para verificar se eles possuem residência legal no país. Em caso negativo, as pessoas podem ficar à mercê da imediata deportação dos Estados Unidos por ter violado as leis do país e, se estiverem trabalhando, as empresas que deram emprego aos indocumentados também serão multadas.
Grupos de defesa dos imigrantes estão denunciando esta lei como discriminatória, uma vez que ela pode ser usada como perfil racial. Ora, todos sabem que a maioria dos indocumentados são latino-americanos, com fisionomia indígena, daí a acusação dos defensores
dos imigrantes.
O enfoque de Snyder é o mesmo dos conservadores do Arizona, ou seja, o de que os indocumentados são, na verdade, vítimas de malfeitores e consequentemente explorados. A governadora Brewer afirmou ainda que os indocumentados são usados como “mulas” pelos narcotraficantes, que os ameaçam e a seus familiares se não obedecerem às suas ordens de trazer drogas para os EUA.
E acusam também a inércia do governo federal que nada faz para resolver a questão imigratória, obrigando, portanto, os estados a fazerem suas próprias leis, a fim de proteger os indocumentados e os cidadãos americanos.
Os argumentos não passam de falácias para evitar de serem taxados de racistas e insensíveis. Evidentemente, não se pode negar ter as máfias que comandam o tráfico de drogas e de seres humanos ligações próximas, quando não são operadas pelos mesmos grupos de meliantes.
O governo federal, por seu lado, vem atuando fortemente no combate aos chamados “coiotes”, que se incumbem de guiar os indocumentados pela travessia entre a fronteira do México com os EUA. Reforçou o número de agentes da Patrulha Fronteiriça, investiu em tecnologia para deter os ilegais e vem agindo fortemente na detenção de indocumentados com ordens de deportação que se encontram escondidos dentro do país, além de punir com rigor as empresas que contratem pessoas fora do status imigratório.
Os conservadores, na verdade, estão aproveitando-se do difícil momento econômico pelo qual passa os EUA para aprovar leis anti-imigrantes estaduais que visam apenas tornar insustentável as vidas das pessoas e obrigá-las, assim, a retornarem a seus países.
Isso até poderia ser lógico, caso estivéssemos falando de recém-chegados. A maioria dos imigrantes, porém, mora muitos anos nos EUA, habituou-se ao ritmo de vida do país e possui filhos americanos que dificilmente se adaptariam aos países de seus pais. Ou seja, seria criado um problema social.
Obviamente, ninguém defende a entrada de pessoas de maneira ilegal no país por uma série de razões: segurança, infraestrutura social, questões ecológicas, etc. Os cidadãos americanos (e mesmo as comunidades de imigrantes) têm direito de saber quem está circulando pelas ruas de suas cidades. Este exército invisível coloca em risco as vidas de todos por se mover nas sombras sem ser detectado.
A solução, sem dúvida, é regularizar a situação dos indocumentados, cadastrando-os no sistema nacional de cidadãos dos EUA, mediante o preenchimento de requisitos como boa conduta, aprender a falar inglês e pagamento de multas pela infração cometida. O dinheiro arrecadado, aliás, poderia reverter para investir ainda mais no sistema de segurança das fronteiras, atendendo, portanto, as duas partes: os que querem fronteiras seguras e o que desejam a integração dos imigrantes à sociedade americana.
O duro mesmo é os integrantes do Congresso Nacional enxergarem esta realidade e aprovarem uma lei neste sentido, temendo o forte lobby dos anti-imigrantes. Haveria protestos e revolta, mas o golpe seria absorvido e o país lucraria com a integração dos ex-indocumentados.
Fonte: http://www.diretodaredacao.com