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Edição 128 - Outubro 2010 I Artigos
Tropa de Elite 2 - por Barbara Oliveira

A história:
O personagem mais popular do cinema nacional desde a Retomada volta às telas de cinemas em 8 de outubro. Agora mais maduro, mais estratégico e mais solitário, o Coronel Nascimento dá ao BOPE estrutura e força. Afasta o tráfico de muitas favelas. Impede que os policiais corruptos faturem com o arrego do tráfico, apenas para descobrir que na segurança pública do Rio de Janeiro nada é o que parece, e que o problema a ser enfrentado não se restringe ao tráfico.
O buraco é bem mais em baixo. O destino da cidade e de Nascimento se cruzam em “Tropa de Elite 2 – O inimigo agora é outro”. A partir de pesquisas intensas, o diretor José Padilha e o roteirista Bráulio Mantovani construíram uma história atual, baseada em fatos reais que se misturam a história fictícia de Nascimento, da sua família, e de seus amigos, para falar da realidade do Brasil através do cinema.
Para enfrentar o desafio e apresentar ao público uma história tão envolvente quanto “Tropa de Elite”, Padilha e o produtor Marcos Prado contaram praticamente com a mesma equipe e o mesmo elenco do primeiro filme. Uma equipe integrada, que retomou com afinco e dedicação o desafio de continuar uma saga, e um personagem, que marcaram o cinema brasileiro para sempre.
Em Tropa de Elite 2, o sistema se reinventa e descobre como lucrar sem o intermédio do tráfico. Em perseguição ao caminho trilhado pelo sistema, o público acompanha Nascimento indo além dos limites do quartel, revelando as ligações das milícias com o Estado. E o preço por essa descoberta é alto. Não se sabe de onde vem o tiro.
Wagner Moura retoma o personagem mais marcante de sua carreira, o capitão Nascimento, na sequencia de Tropa de Elite, filme também dirigido por José Padilha, ganhador do Urso de Ouro no Festival de Berlin, 2008. Nascimento, dez anos mais velho, cresce na carreira: passa a ser comandante geral do BOPE, e depois Sub Secretário de Inteligência. Em suas novas funções, Nascimento faz o BOPE crescer e coloca o tráfico de drogas de joelhos, mas não percebe que ao fazê-lo, está ajudando aos seus verdadeiros inimigos: policiais e políticos corruptos, com interesses eleitoreiros. Agora, os inimigos de Nascimento, são mais perigosos.

A produção:
Oriundos do documentário, Padilha e Prado gostam de imprimir na tela o máximo de realidade possível. Uma equipe de efeitos especiais, com nomes de peso em Hollywood, como Bruno Van Zeebroek, de “Transformers”, William Boggs, de “Homem-aranha”, e Keith Woulard, de “O Curioso Caso de Benjamin Button”, “Independence Day” e “Forrest Gump”, foi importada diretamente para o set de Tropa 2 a fim de dar maior veracidade às inúmeras reviravoltas de ação do filme. O presídio de Bangu 1 foi reconstruído em seus mínimos detalhes num estúdio de mil metros quadrados, consumindo cerca de 15% do orçamento. Corpos carbonizados foram criados pelo mestre da maquiagem Martin Trujillo. Tamanho cuidado e originalidade só têm um objetivo: permitir que Nascimento, personagem que foi transformado em protagonista e narrador na sala de montagem de Tropa 1, viva na tela, de forma inusitada e com a maior credibilidade possível, um mergulho em descobertas nem sempre óbvias e simples. Onde o inimigo de outrora não será mais o mesmo. E sim outro, muito mais complexo.
Em Tropa 2 o principal arco dramático do filme, que no primeiro Tropa foi de Mathias (André Ramiro), será de Nascimento. Como o próprio Nascimento diz em Tropa 2, agora é pessoal.