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Essas fantásticas mulheres
Voltando pra casa depois de um dia daqueles de trabalho e estudo, fiquei pensando em qual seria o tema para o próximo artigo. Pensei em escrever sobre política e as infinitas crises de ética, mas me pareceu batido demais. Cogitei meio ambiente, neste caso, porém, o Al Gore tem muito mais conhecimento que eu; esportes, ciências, relacionamentos, tudo me pareceu um pouco sem graça. Enquanto tentava listar possíveis assuntos, fiquei olhando as pessoas que estavam no trem comigo e encontrei a resposta: mulheres!
Naquele vagão, vinte e duas mulheres desfilavam magia e mistérios. Algumas se vestiam de terninhos e pareciam assustadoras chefes de estado, outras – mais jovens – tinham os cabelos pintados de cores que nem sei o nome e usavam roupas rasgadas. No cantinho, a tímida lia um livro por detrás de um par de óculos de aros grossos. Falando alto, duas senhoras discutiam o preço do pão, enquanto duas adolescentes vestidas com as roupas da moda ouviam em alto volume os hits do momento.
Por alguns instantes, entrei num mundo que por mais que tente, não consigo entender. Um mundo de detalhes, onde o pingente do sapato combina com o prendedor do cabelo, onde a listra vermelha da camisa combina com a bolsa que por sua vez combina com a maquiagem. Um universo tão complexo que os mais simples acasos são planejados e seguidos à risca. Aquele ombro à mostra, a perna que cruza ou o cabelo que se solta da prisão claustrofóbica do elástico. E no meio de tantos movimentos milimétricos, de tantos enigmas insolúveis, pensei o que talvez todo mundo já saiba: os homens não são nada sem as mulheres, mas as mulheres podem ser tudo sem os homens.
E a prova disso está na história da humanidade, mais precisamente, na história da mulher. São tantas vitórias e tantas derrotas, tantas curvas e retas imprevisíveis, que as mulheres tornaram-se “auto-sustentáveis”. Das rainhas às camponesas, das bruxas às médicas, das mães às profissionais liberais, esses seres mágicos e incansáveis precisaram e precisam não só mostrar que são boas no que fazem, mas que são melhores. A carga de responsabilidade é duplicada e mesmo assim não se cansam nunca e jamais deixam de ser fascinantes.
E por que “auto-sustentáveis”? Em apenas 50 anos, as mulheres recuperaram direitos, colocaram os homens em seus devidos lugares e revolucionaram o mercado de trabalho e a sociedade. Hoje, se elas quiserem, podem se vingar de anos de repressão, deixando-nos a ver navios. Se tivermos sorte, seremos perdoados pelos incontáveis erros que cometemos. Se elas quiserem, e só neste caso, teremos a igualdade tão sonhada.
Para alcançar este nível de igualdade, as mulheres terão de pisar no freio e esperar o velho calhambeque de ouro masculino alcançá-las. Na prática, elas não precisam mais de nós, nem para engravidar, nem para abrir latas. Nosso modelo está ultrapassado, somos arrogantes, mas não funcionamos direito. Somos os PCs enquanto elas são os MACs. A partir de agora, seremos nós que teremos de nos adaptar ao mundo delas, e não temos as armas que elas têm. Quem me dera ter um terço da sensibilidade delas e quiçá um pouquinho do tal sexto sentido.
Celso Braz |