Filhos, por que tê-los?
Toda mulher concorda que “ser mãe é padecer no paraíso”?
Ser mulher é a arte de saber sofrer sorrindo, sem ficar amarga, nem gorda.
Sofre quando menstrua e, também, quando não menstrua. Sofre quando demora a casar e, via de regra, quando casa, pois, pela pressa, escolhe errado. E sofre mais ainda quando já passou dos 30 sem conseguir engravidar.
A mulher investe na carreira, trabalha que nem “homem” e ganha como “mulher”. Estuda mais, dedica-se muito, mas mesmo assim, em pleno século XXI, ganha em média 20% a menos. Tem dupla jornada, às vezes tripla. E ainda é cobrada para ser compreensiva, delicada, atenciosa e feminina. Tem que saber sentar direito, rir discretamente, cruzar as pernas. Ser conciliadora, falar baixo e ser fiel é mandatário. Uma puta na cama e uma dama na sociedade. E por fim, e muito mais importante, tem que ser mãe. Uma mulher de verdade é mãe nata.
Ser mãe é ter oportunidade de doar e não esperar nada em troca. É a chance de colocar em prática a compaixão e o verdadeiro amor, de forma natural. Porque mãe ama seu filho, assim que gera. É um amor desconhecido, profundo e tão forte, que para ser mãe só é preciso criar.
O tempo passa, o tempo voa. Às vésperas de comemorar 40 anos, muitas mulheres da sociedade moderna não encenaram o lindo papel da maternidade. Mas, não perdem as esperanças. Fazem uma retrospectiva, avaliam a vida e concluem que agora chegou a hora. Recursos tecnológicos, inseminações e fertilizações estão aí para ajudar.
O que nos impulsiona? Deixar para a humanidade um legado?
Passar valores e coisas boas, além do inocente desejo de poder sempre protegê-lo do mal, fazendo um homem de bem. Trabalhar e viver por causa dele. Dar um corpo de vida a uma alma. Carregar no ventre uma semente de Deus. Exercer a divindade e, literalmente, dar a luz. Gozar de um sofrimento que dá mais prazer do que dor.
Ser mãe é sofrer quando o filho não come. É ter energia suficiente para brincar horas a fio, sem perceber o tempo. É ser sua heroína. É colocar de castigo e, de boa fada, passar a ser bruxa. É saber dizer não com firmeza. É saber que nunca mais poderá fazer nada sem antes pensar, em primeiro lugar, nele. É se colocar em segundo lugar, sem significar perda de auto-estima. É garantir um futuro melhor que o seu. É não dormir direito quando recém-nascido, na primeira infância, na adolescência... É nunca mais ter o mesmo sono. É ver de perto quem são as companhias, é explicar o não. É alertar para as drogas, a camisinha, a gravidez precoce. É amar. É dar a vida, sem perdê-la. É perder a identidade, deixar de ser você e passar a ser a mãe do Miguel, do Thiago, da Larissa. É escolher um nome que represente tudo que ele significa, mesmo antes de nascer. É dar nome de Arcanjo, assim como Deus, para nomear aquele que passará a ser o maior presente, o seu futuro e que dará mais sentido a sua vida, mesmo que em muitos momentos isso signifique sofrer. Ser mãe é realizar a vida.