SIM, SENHORA!
Leila Cordeiro .
Na piada, quem dá a última palavra em casa é sempre o homem: - Sim senhora. Nas sociedades orientais e mulçumanas isso está longe de ser verdade, mas nas ocidentais elas funcionam e bem. Vejamos. Evita Peron, aquele monumento de marketing dos anos 50, é o melhor exemplo. O marido, Juan Peron, como nos revela a história, ouvia seus conselhos “na tepidez da clausura”. Peron, que tirou Eva da rua para brilhar como toda poderosa no balcão da Casa Rosada, passou a ser mero coadjuvante em suas aparições públicas. Evita “ foi sem nunca ter sido”...a presidente argentina de fato! A indústria americana de entretenimento , através de peças e filmes, viajou nessa história de amor, que não se sabe se foi tão embalada a romance ou apenas mais um arranjo político. Mas a verdade é que a Evita dos argentinos se perpetuou na imaginação e na memória de uma época. A tal ponto que sua história ultrapassou as barreiras geográficas e étnicas, tornando-se um dos grandes clássicos da Broadway e das telas de cinema de Hollywood.E assim como Evita, outras tantas primeiras-damas pelo mundo afora tiveram seus momentos de glória e decepção, com segredos e amores nem sempre revelados. Quantas delas foram obrigadas por dever de ofício a cumprirem seu papel que o protocolo do cargo exige, guardando no peito uma terrível mágoa do marido poderoso.Mas vamos apontar nossa artilharia para duas primeiras-damas que estão a ponto de tornarem-se “primeiras” como governantes e não como meras coadjuvantes. Hilary Clinton, é o que se pode dizer de alguém que esteve no fundo do poço e conseguiu dar uma incrível volta por cima. Depois de dividir com o planeta as intimidades “orais” do marido com a estagiária da Casa Branca, Hillary resolveu mostrar que o negócio dela também é poder e partiu para a disputa política. Lidera com folga a corrida pela indicação do Partido Democrata e pode tornar-se a primeira mulher a presidir a maior potência mundial.Mas o objetivo da coluna é chegar até Cristina Kirchner atual primeira-dama da Argentina, quiça presidente ainda neste domingo, se vitoriosa no primeiro turno. Tida como elegante, fina e inteligente, ela começou sua carreira política na província de Santa Cruz, onde o marido Nestor foi governador. Com a mudança da família para a capital, Cristina conquistou o lugar no senado eleita pela poderosa província de Buenos Aires. E agora tem tudo para ocupar o lugar do marido na Casa Rosada. Hilary e Cristina são exemplos de mulheres que não querem ser apenas meras figurantes. Elas acompanharam de perto os acertos e os erros dos maridos e se fizerem o dever de casa direitinho podem, quem sabe, ser excelentes governantes. Mas os tempos mudaram. A verdade é que aquela primeira-dama protocolar, arrumadinha, com um taillerzinho de marca e o sorriso formal para as fotos, está acabando e dando lugar a mulheres decididas que querem um lugar de destaque ao lado do marido presidente. Que venham outras Cristinas e Hilarys, corajosas e intrépidas primeiras-damas. E que a última palavra passe a ser a do presidente: - sim, senhora.Se a moda pega, quem sabe Dona Marisa não se habilita?
PS. Uma curiosidade feminina. Se Cristina for eleita, como tudo indica, a família não precisará fazer mudança. Continua tudo como antes na Casa Rosada.